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Perdidos no Parque Nacional da Serra dos Orgãos
Fonte: Eduardo   

Eu ainda era menor de idade e conversando com o Felipe, claro!, decidimos acampar no Parque Nacional da Serra dos Orgãos. Fizemos tudo como manda o protocolo, barraca, anorak e mochila cargueira. Compramos um "guia" de um cara que se dizia especialista e duas passagens de São Paulo para Teresópolis - RJ.

A travessia da Serra dos Orgãos, que passa pelo Dedo de Deus, Vale da Morte e Pedra do Sino leva três dias para ser feita e acaba em Petrópolis. Nota: é preciso assinar um termo na entrada do parque isentando-os de qualquer responsabilidade (eu era menor, minha mãe não sabia que eu viajara) Resultado: o Felipe passou a ser meu responsável hehehe

Deixada a burocracia para trás começamos o primeiro dia de caminhada - ataque ao cume da Pedra do Sino - acho que a terceira maior montanha do Brasil, com 2.263m. Chegando lá encima achamos tudo muito bonito e decidimos pousar por alí, era verão e do topo da montanha tinhamos uma visão de 360º do Rio de Janeiro, estavamos sobre as nuvens, parecia o mar cheio de espuma (veja foto) então por que não acampar por lá?

Dia seguinte de manhã descemos acampamento e seguimos trilha em direção ao local onde deveriamos ter pernoitado - o Vale das Antas - e encontramos um grupo por lá. Conversa vai e descubrimos que acabavamos de dormir no lugar com a maior incidência de raios do Brasil - o cume da Pedra do Sino é repleta de buraco - que cabem pessoas - feitos pelos raios "trovões" quando atingem a pedra. Mas isso só acontecia no verão hehehe, exatamente quando estavamos lá.

Segundo dia normal, tirando o sobe e desce sem parar de montanhas - na trilha somos ensinados a seguir os "totens" que são pedras empilhadas - mas alguns espertinhos vão marcando os "novos caminhos" que fazem com as mesmas marcas para conseguirem voltar, ja viram...

O problema realmente aconteceu dia 21 de dezembro, último dia, quando deveriamos acordar no Açú, e lá estavamos, para seguir em direção ao tão procurando Morro do Queijo e depois seguir trilha abaixo até Petrópolis.

O "guia" que tinhamos comprado havia sido útil até este momento, mas no Açú fomos indicados para seguir determinada trilha e o fizemos, só percebemos que estavamos errados no dia seguinte (22 de dezembro) mas só nos consideramos realmente perdidos depois de dois dias rs..

Por sorte eu tinha levado meu celular, mas quem disse que pegava! perdidos a dois dias agora a meta era encontrar algum lugar com sinal alí. Impossível! Paramos de caminhar nesse dia e decidimos que no dia seguinte acordariamos cedo para tentar subir a montanha mais próxima em busca de sinal.

Assim fizemos, acordamos antes do sol, estava uma P#!@ chuva lá fora e não conseguimos sair da barraca o dia inteiro, já estava rolando um stress, perdidos a dois dias, sem sinal de que conseguiriamos voltar e começando a comer a reserva de comida (miojo é leve!).

Dia seguinte subimos uma montanha próxima e conseguimos sinal, não consegui nenhuma orientação pois a descrição do lugar que eu estava não era conhecida por nenhum guia. O jeito foi ligar para o Corpo de Bombeiros, liguei e "..olá, estamos perdidos em uma montanha aqui do Rio de Janeiro, nossa comida acabou e um dos equipamentos foi molhado com a tempestade de ontem, vocês podem vir nos buscar...?" Fácil!

Diante da situação achamos que não deveriamos ficar parados então escolhemos um lugar para montar o "acampamento base" e deixamos todo o equipamento lá, saimos em busca de agua. Pela nossa lógica - se é que no momento tinhamos alguma - se encontrassemos agua, e a agua descesse até o mar, chegariamos ao litoral e estariamos salvos. Descemos o rio inteiro, todinho, até chegar em um lugar que ele entrava em uma pedra e sumia! devia sair do outro lado mas ainda tinhamos uma trilha de seis horas pra voltar e decidimos não nos arriscar mais.

Dia de sorte: no natal (dia 25) eu escuto um apito e saio correndo, eram os bombeiros vindo nos buscar, eles tinham ficado três dias nos procurando e lá estavam, vocês não imaginam o que passamos!

Bom, resumindo foi nosso primeiro resgate, primeira aparição na Globo hehehe, alias foi pela notícia da Globo "garotos que estavam perdidos no Rio de Janeiro são resgatados hoje pelo corpo de bombeiros..." que a Ida, mãe do Felipe ficou sabendo que tinhamos viajado rs..

Fomos até o batalhão, onde fomos recebidos e jantamos com o Capitão antes de voltarmos.
Foi isso!


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